Manuel Beça Múrias
Porto, 1938 - 1987
Considerado um dos pioneiros do modernismo do jornalismo, Manuel Beça Múrias nasceu no Porto no dia 22 de Janeiro de 1938. Na notícia da sua morte, em 1987, Fernando Assis[...]
Considerado um dos pioneiros do modernismo do jornalismo, Manuel Beça Múrias nasceu no Porto no dia 22 de Janeiro de 1938. Na notícia da sua morte, em 1987, Fernando Assis Pacheco, evocando o amigo, escrevia em O Jornal: «Um dos maiores repórteres da Imprensa portuguesa» a quem devíamos «o exemplo reiterado do profissionalismo e a solidariedade de todas as horas, as boas e as más.» Foi no Diário Ilustrado, em 1957, que Manuel Beça Múrias iniciou a sua carreira de jornalista profissional. Passou pelas redacções da agência Associated Press, da revista Flama e dos jornais Diário de Lisboa, A Capital, Sempre Fixe, Diário de Notícias e Se7e. Participou nos serviços de informação da RDP e da RTP e foi um dos fundadores do semanário O Jornal, em 1975.
Publicou, em livro, uma série de entrevistas sobre Humberto Delgado (Obviamente, demito-o, 1975) e Mundos e Fundos/Crónicas de Paixão e Maldizer (1984), com prefácio de José Cardoso Pires, que lhe chamava
«escritor da nossa Imprensa», assinalando a sua «capacidade certeira de captar o imediato e de contar em imediato mesmo aquilo que foi passado». Com a fibra própria de um jornalista escreveu estas cartas, dirigidas à sua mulher Maria João Múrias, que relatam o seu quotidiano na guerra colonial. No ano da sua morte, aos quarenta e nove anos, trabalhava já esta ideia da publicação das cartas. O título O Salazar nunca mais morre foi retirado de uma das cartas, postumamente editadas.
