- n° PAGS:200
- ISBN:978-989-657-042-2
- DIMENSÃO:15,5 x 23,5 cm
Meus bebés…
Sei que detestam que vos trate assim… Quase que consigo vê-los de rosto crispado, aquele que antecederia o tom exasperado com que me responderiam:
– Mããããe! Pára de nos chamar isso, já não somos bebés!
O pior é que, quando lerem este livro, estarão mais crescidos do que hoje. Tu, Julie, terás doze anos, e talvez pretendas mergulhar nele de imediato, sem hesitações. Mas vocês, Thibault, Matthieu e Margot, irão esperar, sem dúvida, ainda alguns anos antes de o abrir. Em que idade o farão? Aos doze, treze, catorze anos? E então? Mesmo quando tiverem dezoito anos, continuarão a ser os meus bebés. Há coisas que nunca mudarão. Mesmo depois de morta, continuarei a ser a vossa mamã até ao fim das vossas vidas. Eu sei, não será fácil, porque, em breve, terei sobre mim sete palmos de terra. Os médicos foram peremptórios: resta-me um mês de vida, dois na melhor das hipóteses. Não é assim tão mau: em final de Outubro, quando tomei conhecimento de que estava condenada, os mais optimistas não acreditavam que resistiria tanto tempo. Finalmente, consegui dificultar a vida a este maldito «colangiocarcinoma intra-hepático»: o próprio nome é assustador. Não é estranho que mal o consiga pronunciar. Ao que parece, o meu caso é raro: segundo Karim, o meu médico preferido, este tipo de cancro afecta, sobretudo, os homens a partir dos sessenta anos. Para cúmulo dos azares, veio bater à minha porta.
Isso significa que não vos verei crescer. É estranho, mas não consigo, de todo, antever aquilo em que se tornarão daqui a alguns anos. Quanto a ti, Julie, já com onze anos, lerás ainda as tuas revistas de mexericos, quando beijares os teus primeiros namoradinhos? Thibault e Matthieu, com a turbulência própria dos vossos nove e cinco anos, aproveitarão ainda a mínima ocasião para guerrear um com o outro? E tu, minha pequena Margot, com os teus lindos caracóis louros… ainda nem sequer dois anos fizeste, mas irá certamente chegar a altura em que deixarás de responder «não» a tudo, batendo o pé, em que deixarás de passar o tempo de braços estendidos, na esperança de receber carinho da primeira pessoa que apareça! Certo é que, dentro de um, dois, três ou sete anos, estarão ainda a viver em Puiseaux, no Loiret.
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