- n° PAGS:272
- ISBN:978-989-657-013-2
- DIMENSÃO:15 x 21 cm
4 de Setembro
Querido diário:
Algo horrível vai acontecer hoje.
Não sei porque escrevi isto. É de loucos. Não há nenhum motivo para que me sinta inquieta e todos para que seja feliz, mas…
Mas aqui estou às cinco e meia da manhã acordada e assustada. Estou sempre a dizer a mim mesma que simplesmente estou um caco devido à diferença horária entre a França e aqui. Mas isso não explica por que razão me sinto tão assustada. Tão perdida.
Anteontem, enquanto a tia Judith, Margaret e eu voltávamos de carro do aeroporto, tive uma sensação muito estranha. Quando virámos para a nossa rua, pensei de repente: «A mamã e o papá estão em casa à nossa espera.
Aposto que estarão no alpendre da frente ou na sala de estar a olhar pela janela. Devem ter sentido muitas saudades minhas.»
Eu sei. É de loucos.
Mas até mesmo quando vi a casa e o alpendre da frente vazio continuei a sentir a mesma coisa. Subi a correr os degraus e bati com a aldraba. E quando a tia Judith abriu com a chave precipitei-me para dentro e simplesmente fiquei no átrio à escuta, esperando ouvir a mamã a descer as escadas ou o papá a chamar-me do escritório.
Nesse momento, a tia Judith deixou cair uma mala ruidosamente no chão atrás de mim, deu um enorme suspiro e disse: «Estamos em casa.» Margaret riu. E fui invadida pela sensação mais horrível que alguma vez tive. Nunca me senti tão total e completamente perdida.
Casa. Estou em casa. Porque é que isso soa como se fosse mentira?
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