Diário de um Totó

Jordi Sierra i Fabra

Mário está feito num oito... disseram-lhe que vai mudar, mas por mais que se interrogue, dia após dia, não percebe de onde aparecerá o ciclone que irá abalar a sua vida. Por enquanto, continua com o seu amor pela leitura e pela escrita (olha que isto é muito raro!) e,...
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  • n° PAGS:177
  • ISBN:9789896570934
  • DIMENSÃO:14x18,5
EXCERTO do 1? CAPÍTULO:

1 de Janeiro

Chamo-me Mário. Sim, é esse o meu nome. Há alguns anos achava que só podiam estar a gozar comigo. Soava-me a nome de funcionário de um banco. Mááárioooooo! Mas o meu pai é funcionário de um banco e o nome dele é Alberto, de modo que… E há um ano alguém me disse que era a mistura de Mar com Riso. Claro que lhe parti a boca toda. Mas deu-me que pensar.

E hoje em dia tudo bem. Digo-o. Assim. Nem mais nem menos. Suponho que é um nome como outro qualquer. Aquele a quem parti a boca toda… não quero que fiquem a pensar que sou violento. Não é nada disso. No colégio sou aquele que está sempre a levar. Mas às vezes uma pessoa tem de se defender, e quem me disse isto era um palerma.

Bem, mas voltando ao assunto, porque dizem que me disperso muito. Hoje é dia 1 de Janeiro. No dia 24, véspera de Natal, ofereceram-me isto. UM DIÁRIO. Guardei-o numa caixa e não lhe liguei nenhuma, mas não lhe liguei nenhuma mesmo. Contudo, ontem à noite a minha mãe disse-me uma coisa que me fez pensar. Disse-me:

— Sabes, Mário, estás quase a fazer 12 anos. Isso faz de ti um menino crescido. 12. Soa como se fosse 40 para um adulto.

Por isso tive uma ideia: escrever tudo aquilo que me acontecer durante este ano, ver como vou mudar entre os 11 e os 12. Quero ser escritor. Também quero ser ilustrador, para ilustrar os meus livros, mas primeiro escritor. No outro dia visitámos um museu, e vi manuscritos de uns tipos que estavam mortos há montes de anos e pensei:

«Se um dia for famoso, até a merda que tiver cagado valerá alguma coisa.»

Foi assim que decidi escrever isto. Não todos os dias, mas sim as coisas mais importantes para ver depois como ficou tudo, como «mudei». E quando for velho, e um escritor famoso, isto valerá uma fortuna. Tenho a certeza. Não é que seja materialista, nada disso. Mas da maneira como estão as coisas…

Antes de começar (se alguém alguma vez me tivesse dito que ia escrever um diário tinha-me desatado a rir na cara dele), uns parênteses. Antes de mais, estou-me a borrifar para os feisbucs, tuentis e outras dessas tretas da Internet, que são impessoais como tudo. Escrevo isto aqui e pronto. Para isso sou esquisito. Além do mais, dizem que escrevo bem para a minha idade (e se não, é para isso que existe o corrector ortográfico do programa de computador). Pois continuemos.

Com dois…

(E aqui aparece o meu primeiro problema)

Como vou escrever um diário?

Se escrever como falo, está tudo lixado (já perceberam o que quero dizer?). Mas se escrever a pensar que um dia isto vai iluminar a mente de alguém daqui a cem anos… ainda pior. Ou seja, ponho palavrões? Quem, hoje em dia, com 12 anos não diz palavrões? Um gajo vai pela rua, vê uma coisa castanha que um cão acabou de fazer, e começa a dizer «Ui, olha só, cocó de cão», ou diz «Merda!»? Estou num verdadeiro dilema, não acham? Se a minha mãe apanhar isto, está tudo estragado, mas se tirar, fica uma foleirada… Foi por isso que pensei em ser original. Ter um estilo próprio. Decidi não pôr palavrões… mas também não ignorá-los. Vou usar um código.

Cada vez que virem um X, será um palavrão ao gosto do freguês. Quantos mais X, pior é o palavrão. Um XXX seria um palavrão normal, uma exclamação, XXXXX um um palavrão já mais forte, e um XXXXXX um daqueles palavrões que se uma senhora mais velha te ouvir tem um ataque ou olha-te com má cara e vai a correr contar à tua mãe. Mais de sete X… podem imaginar. Assim ninguém poderá dizer que isto não é real, e eu salvaguardo-me. Mais coisas…?

Bom, então, vamos lá:

sou estranho, mas isso já tinha dito. E depois? Será que não há para aí montes de idiotas que se acham normalíssimos?!

* Tenho um pai

* uma mãe

* um irmão (muito) mais velho

* uma irmã (muito) mais velha

(eu fui um «acidente de percurso», nasci fora de prazo)

* quatro avós,

* o meu melhor amigo (Leo, de Leopoldo)

e uma vizinha sexy (Joana, 15 anos).

* Não gosto de futebol (detesto, é para atrasados mentais)

* não tenho telemóvel (o meu pai não gosta)

* leio muito (sim, porque gosto, o que tem?)

Tenho andado a pensar naquilo que escrevi anteontem. Pessoal, já se aperceberam da quantidade de mudanças pelas quais passamos até chegarmos aos 18? Faço listas e como de qualquer maneira a minha vida é uma seca e tudo o que me acontecesse é do mais normal e aborrecido, vou deixar aqui a minha opinião, ou seja, vou tornar isto uma coisa «reflexiva», e cheia de nível.

Assim ficarei a saber como era em criança, porque dizem que mais tarde não nos lembramos da infância. Bom, vamos lá ver se chego ao fim deste ano. Isso sim, vai ser um desafio.

3 de JANEIRO

Depois dos 18, contudo, só nos faltam duas ou três fases:

Dos 0 aos 18 é sempre a abrir, o que quer dizer que estamos a mudar sem parar. E isso é muita pressão. É por isso que não estranho que digam que a adolescência isto e a adolescência aquilo. XXXXX, é de uma pessoa se passar. E para além disso ainda temos de estudar e essa cena toda.

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SOBRE o AUTOR:

Jordi Sierra i Fabra

Jordi Sierra i Fabra é um dos mais prolíficos autores da literatura infantil espanhola. Essa dedicação foi compensada com o Prémio Nacional da Literatura Infantil e Juvenil.

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COMENT&Aactute;RIOS

  1. #988 por Anna em 19 de Setembro de 2011

    Olá eu já li este livro e AMEI acabei de o ler num estante , achei muito interessante !
    Eu queria saber se existe outro livro deste tipo, que seja uma pessoa a falar sobre a sua vida e que seja como este que seja um(a) adolescente a falar sobre a sua vida se alguem me poder ajudar eu agradecia

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