Flavia de Luce e o Mistério do Bosque de Gibbet

Alan Bradley

Flavia tem apenas 11 anos, um feitio muito especial e um invulgar talento para fórmulas químicas, em especial no que toca a venenos. Desengane-se, porém, quem pensa que as suas histórias se destinam apenas ao público juvenil. Dona de uma inteligência invulgar e de uma surpreendente capacidade de investigação, Flavia...
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CARACTERISTICAS GERAIS:
  • n° PAGS:320
  • ISBN:9789896570811
  • DIMENSÃO:15,5x23,5
EXCERTO do 1? CAPÍTULO:

Eu jazia, morta, no cemitério da minha aldeia. Há já uma hora que a família enlutada me tinha dito o último adeus. A partida de Buckshaw fora ao meio-dia, a hora a que normalmente nos sentávamos à mesa para almoçar: o meu caixão de pau-rosa, muito bem envernizado, fora retirado da sala de estar, lentamente transportado ao longo dos amplos degraus de pedra que iam dar à entrada de nossa casa, e por fim metido, com dilacerante facilidade, pela porta aberta do carro fúnebre, esmagando com o seu peso um pequeno ramo de flores silvestres ali ternamente depositado por um dos habitantes da aldeia que chorava por mim.

Seguira-se o longo percurso pela alameda dos castanheiros, até chegarmos aos Portões Mulford, cujos exuberantes grifos desviaram os olhos à nossa passagem, nunca saberei se de tristeza ou de simples apatia.

Dogger, o dedicado faz-tudo do pai, seguia em passo solene ao lado da lenta carreta, a cabeça inclinada, a mão poisada de leve no tejadilho, como que a proteger os meus restos mortais de qualquer coisa que só ele era capaz de ver. Ao chegarmos aos portões, um dos ajudantes do cangalheiro conseguira finalmente convencê-lo, por meio de gestos, a subir para um dos carros alugados.

E foi assim que me conduziram para a aldeia de Bishop’s Lacey, depois de termos atravessado melancolicamente as mesmas veredas arborizadas, as mesmas sebes salpicadas de poeira por onde eu passava diariamente de bicicleta quando era viva.

O adro da Igreja de São Tancredo estava apinhado de gente. Ao chegarmos, retiraram-me com jeito do carro funerário e conduziram-me, a passo de caracol, pelo carreiro que serpenteava por debaixo das tílias, onde me poisaram por momentos sobre a relva recém-aparada.

Seguira-se a cerimónia diante do sepulcro hiante, altura em que se ouvira uma entoação de dor genuína na voz do vigário, quando proferira as palavras tradicionais. Era a primeira vez que eu ouvia as orações de exéquias da posição em que me encontrava. No ano anterior, tínhamos assistido, na companhia do pai, ao funeral de um velhote, o senhor Dean, o merceeiro da aldeia. A bem dizer, a campa dele ficava a pouca distância do ponto onde neste momento eu me encontrava. A terra já tinha cedido, deixando à vista pouco mais do que uma depressão rectangular na erva, uma depressão que, quando chovia, se enchia regularmente de água estagnada.

Na opinião da minha irmã mais velha, Ophelia, a terra tinha cedido porque o senhor Dean tinha ressuscitado, não estando já ali fisicamente presente; na opinião de Daphne, a minha irmã do meio, a terra tinha-se afundado sobre uma campa mais antiga que se encontrava por debaixo, e cujo ocupante já se tinha desintegrado. Pensei na sopa de ossos que tinha por baixo de mim – uma sopa da qual eu própria estava prestes a fazer parte, qual um ingrediente entre outros.

Flavia Sabina de Luce, 1939-1950, mandariam gravar na lápide, uma simples lápide de mármore cinzento, uma lápide elegante mas sem espaço para falsos sentimentos.



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SOBRE o AUTOR:

Alan Bradley

Alan Bradley nasceu em Toronto, e cresceu em Cobourg, Ontário. Formou-se em Engenharia Electrónica e trabalhou em várias estações de rádio e televisão, em Ontário, e no Instituto Politécnico de Ryerson (agora Ryerson University), em... VISITAR PAGINA SOBRE O(a) AUTOR(a)

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COMENT&Aactute;RIOS

  1. #1126 por Carol em 15 de Novembro de 2011

    Eu comprei este livro mas não é com essa capa.
    Porquê? Essa capa é de outro país?

  2. #1140 por Telmo Tenente em 17 de Novembro de 2011

    Não, esta é a capa deste livro em Portugal. Terá outro comprado outro livro deste autor, «A Talentosa Flavia de Luce»?

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