Laços de Sangue

Pamela Freeman

A estreia de Pamela Freeman em Portugal acontece com um romance pleno de misticismo e ambientes sobrenaturais, bem ao gosto dos apreciadores do género Fantástico. Vencedora de um Aurealis Award, Pamela Freeman dá-se a conhecer aos leitores portugueses através de Laços de Sangue, o primeiro volume da trilogia Dom. Laços de...
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CARACTERISTICAS GERAIS:
  • n° PAGS:438
  • ISBN:9789896570750
  • DIMENSÃO:20x27
EXCERTO do 1? CAPÍTULO:

O desejo de saber o futuro devora‑nos o corpo por dentro. Foi assim que começou e podia ter acabado, há muitos anos. Eu tinha lançado as pedras, vi as faces delas a virar e a cair: Morte, Amor, Assassínio, Traição, Esperança. Nós somos um povo traiçoeiro – metade das nossas pedras mostram traição e violência e morte daqueles que nos são próximos, morte daqueles que estão distantes de nós. Isso não acontece com os outros povos. Já vi outros conjuntos de pedras que mostram apenas desastres naturais: morte por doença, de velhice, da dor de coração destroçado, de morte no parto. E essas pedras estão mais de meio cheias de prazer e alegria e de avisos simples e sólidos tais como «Quem semeia ventos colhe tempestades» e «O importante não é vencer».

É claro que vivemos numa terra tirada à força, através de guerra e assassínio e invasão. Não é de surpreender, talvez, que as nossas pedras reflictam a nossa história. Pronto. Lanço as pedras novamente, curiosa. Quanto do nosso futuro é que atraimos através de todas estas tentativas de adivinhar o futuro? O que fazemos suceder só porque as pedras nos dão um padrão para concretizar?

Já vi as pedras a serem lançadas demasiadas vezes para duvidar delas. Quando vejo a Morte nelas, sei que alguem vai morrer. Mas será que essa pessoa teria morrido sem eu ter predito? Talvez só ao dizer a palavra, mesmo num murmúrio, traga a ideia a superfície da mente,  permita a mente moldá‑la, dar‑lhe substância, quando de outra forma teriam permanecido apenas vagos murmúrios, facilmente ignorados.

Naquela noite, surgiu a Morte vezes sem conta nas minhas pedras. Não me perguntei quem iria morrer. Talvez fosse eu, talvez não. Não tinha mais ninguém para perder, e por isso não receava perder‑me a mim mesma. Havia alguém à porta, com uma respiração pesada, lá fora, com medo de entrar. Mas a pessoa entrou, como acontece sempre com todos, levados por amor ou medo ou ganância ou sofrimento, ou simplesmente curiosidade, um desejo de rir com os amigos.

Este aqui entrou timidamente: era jovem, com dezoito ou dezanove anos, cabelo castanho, calças verdes e botas azuis. Agachou‑se do outro lado do tapete, à minha frente, com o à‑vontade de uma criança.

Eu estendi a mão, à procura do rosto dele. Ele tinha os olhos cor de castanha, mas a forma do rosto mostrava que tinha sangue antigo, do povo que viveu nesta terra antes de esta ter sido conquistada, antes da invasão. Havia também uma dor antiga, uma antiga raiva bem inflamada. Ele sabia o que fazer. Cuspiu na própria palma, uma palma marcada por cicatrizes cruzadas, como se tivesse sido cortada muitas vezes, e colou‑a à minha. Segurei‑a com força e com a mão direita alcancei a bolsa. Ele foi suficientemente forte para ficar calado enquanto eu procurava cinco pedras na bolsa e as lançava no tapete que havia entre mim e ele. Ele até foi suficientemente forte para não seguir a queda delas com o olhar, para manter o contacto com os meus olhos até que lhe acenei e olhei para baixo. Ele leu‑me o rosto.

– É mau?

Acenei com a cabeca. Uma a uma, toquei nas pedras que estavam viradas para cima.

– Morte. Desgosto. Caos. Isto é a superfície. Isto é o que todos verão. – Virei delicadamente as outras duas pedras para cima. – Vingança e Satisfação. Isto é o que esta ocultado. – Uma mistura estranha, que nunca tinha visto antes.

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SOBRE o AUTOR:

Pamela Freeman

Pamela Freeman nasceu em Parramatta, Sydney, na Austrália, no seio de uma família católica. Desde muito pequena que é uma leitora ávida. Trabalhou como relações públicas, sub-editora, designer, guia turística e formadora antes de se... VISITAR PAGINA SOBRE O(a) AUTOR(a)

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