Morte Num País Estranho

Donna Leon

Um dia de manhã cedo, Guido Brunetti, Commissario da Polícia de Veneza, é confrontado com uma visão horrenda, quando o corpo de um jovem é tirado de um fétido canal veneziano. Todas as pistas apontam para um assalto violento, mas, para Brunetti, o roubo parece um móbil demasiado conveniente. Em...
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CARACTERISTICAS GERAIS:
  • n° PAGS:312
  • ISBN:978-989-657-064-4
  • DIMENSÃO:15,5 x 23,5 cm
EXCERTO do 1? CAPÍTULO:

O corpo flutuava de barriga para baixo na água escura do canal. Suavemente, a maré vazante arrastava-o mais para o largo da laguna que se estendia para lá do fim do canal. A cabeça embateu algumas vezes nos degraus cobertos de musgo do cais em frente da Basílica de Santi Giovanni e Paolo, alojou-se aí por um momento, para depois se libertar, à medida que os pés rodaram para fora, num delicado arco de bailado que o soltou com um puxão e o entregou de novo à corrente, que, por sua vez, o levou rumo às águas abertas e à liberdade.

Ali próximo, os sinos da igreja batiam as quatro da manhã, e as águas começaram a correr mais lentamente, como se o sino lhes tivesse ordenado que o fizessem. Gradualmente, tornaram-se ainda mais lentas, até chegarem àquele momento de total quietude que separa as marés, quando as águas esperam que a nova maré tome conta do trabalho do dia. Apanhado na calmaria, o corpo mole balançava à superfície da água, vestido de preto e invisível. O tempo passava em silêncio, até que este foi quebrado por dois homens que por ali passavam, a conversarem em vozes suaves cheias da fácil sibilância do dialecto veneziano. Um deles empurrava um carrinho carregado de jornais que levava de volta para o seu quiosque para começar o dia; o outro ia a caminho do trabalho no hospital que ocupava um lado inteiro do vasto campo aberto.

Ao largo da laguna passava uma pequena embarcação, deslizando suavemente sobre a água, e as ondas minúsculas que levantava alastrava pelo canal e brincavam com o corpo, deslocando-o novamente contra o muro da represa. Quando os sinos batiam as cinco, numa das casas que davam para o canal e que estavam viradas para o campo, uma mulher abriu energicamente as persianas verde-escuras da sua cozinha e virou costas para baixar a chama do gás que ardia debaixo da cafeteira. Ainda não completamente acordada, com uma colher, deitou açúcar numa chávena pequena, desligou o gás com um movimento experimentado do pulso e deitou um forte jorro de café na chávena. Segurando-a com ambas as mãos, dirigiu-se novamente à janela aberta e, num gesto que repetia, havia décadas, todas as manhãs, olhou para a estátua equestre gigante de Colleoni, outrora o mais terrível de todos os chefes militares de Veneza, agora o seu vizinho mais próximo. Para Bianca Pianaro, este era o momento mais calmo do dia, e Colleoni, esculpido num eterno silêncio de bronze havia séculos, era o companheiro perfeito para aquele quarto de hora de paz.

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SOBRE o AUTOR:

Donna Leon

Donna Leon nasceu a 29 de Setembro de 1942 na Nova Jérsia, mas viveu em Veneza durante vinte anos. Exerceu a actividade de Leitora de Literatura Inglesa na Universidade de Maryland. Há alguns anos a... VISITAR PAGINA SOBRE O(a) AUTOR(a)

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