• Início
  • Notícias
  • O co-autor do livro «Empenhai-vos!», Gilles Vanderpooten, editado pela Planeta, saúda movimentos como o da Geração à Rasca.

O co-autor do livro «Empenhai-vos!», Gilles Vanderpooten, editado pela Planeta, saúda movimentos como o da Geração à Rasca.

29 de Julho de 2011 às 15:04

«Protestos são necessários para lembrar aos governos que os cidadãos estão vigilantes»
Os protestos populares «são úteis e necessários para lembrar aos governos que os cidadãos estão vigilantes», mas «a indignação não chega, é preciso canalizar a energia para acções concretas», diz Gilles Vanderpooten, co-autor do livro Empenhai-vos!.

 

Depois de Indignai-vos!, um pequeno livro de Stéphane Hessel que se tornou num sucesso de vendas, este resistente francês e Gilles Vanderpooten escreveram Empenhai-vos!, baseado em conversas entre os dois sobre o estado do mundo.

 

Gilles Vanderpooten explica a mudança de palavra de ordem: «O objectivo de Indignai-vos! era abanar as consciências, o que conseguiu. Depois de estimuladas as consciências, é preciso colocá-las em marcha, daí o Empenhai-vos!»

 

Este segundo livro é um «apelo à acção», que recusa o «fatalismo».
Empenhai-vos! começa com uma carta aos «amigos de Portugal», onde os dois autores, separados na idade por quase 70 anos, lhes asseguram que «as alternativas existem».

 

Vanderpooten lamenta ainda não ter tido a oportunidade de conhecer Portugal, mas frisa que tem seguido «com atenção os movimentos de indignados em Portugal e Espanha», exultando: «Que esperança!»

 

«As populações, e mais particularmente os jovens, que vimos desfilar nas ruas de Lisboa, tomando conta do espaço público, demonstraram que há cidadãos – às centenas, aos milhares – que querem exercer o seu direito à democracia e que o voto não é uma carta branca aos poderes eleitos», sublinha.

 

Ao apelarem à «democracia real», os manifestantes «estão a dizer que a democracia é mais do que os golpes baixos, os debates estéreis, as polémicas politiqueiras que não interessam a ninguém».

 

Sobre a situação grega, Vanderpooten diz que se está perante a «privatização dos lucros e nacionalização das perdas». Reconhecendo que predomina a visão de que «não há alternativa», descreve o que se passa na Grécia como «totalmente indigno».

 

Os «movimentos de indignados» que persistem por todo o mundo «são bem-vindos» e o que se passa na Tunísia ou no Egipto, ainda que «sob a ameaça de contra-revoluções e mesmo se muito continua por construir, é formidável».

 

Os cidadãos «têm o dever de exercer uma vigilância e uma pressão permanentes sobre os poderes, sejam eles quais forem», defende. Quando «a colectividade está em causa», devem «exprimir o seu desacordo», através de organizações não-governamentais ou movimentos políticos, petições ou acções pacíficas.

 

Sobre a possibilidade de a crise actual desencadear uma acção violenta, o autor reconhece: «Não estamos nunca ao abrigo de uma radicalização de reivindicações e reacções.» Espera, porém, «que a violência não vença», pois «a insurreição pacífica é o despertar das consciências». A indignação «é a capacidade de dizer não, protestar, resistir, desobedecer, sem ceder à violência», resume.

 

«A mudança não é propriedade de alguns utópicos, ela é real e está em curso», acredita. Se ela se fará «doce ou violentamente, está nas mãos dos actuais governantes».

 

in Lusa